Salamanca 21/22 maio - IV ENCONTRO DE REITORES
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Líderes do amanhã: As aptidões imprescindíveis no novo mercado de trabalho

Num mundo que avança para o digital, os trabalhadores devem adquirir aptidões que garantam o seu emprego no futuro e a sua adaptação às novas formas de convivência.

• A sociedade encontra-se imersa num processo de transformação, que a incentiva a adotar as Tecnologias da Informação e da comunicação em praticamente todos os seus âmbitos.

• Um dos meios onde a revolução tecnológica é mais evidente é o campo do emprego.



Graças ao avanço das novas tecnologias, as indústrias atuais contam com dezenas de máquinas e robôs capazes de realizar as mesmas tarefas que os humanos, mas a um custo menor e reduzindo a margem de erro. Este contexto, onde a Inteligência Artificial e a Robótica se expandem com rapidez, denomina-se processo de automatização. Embora se espere que as tarefas de diversas indústrias possam ser automatizadas e, portanto, desenvolvidas por máquinas, existem áreas de trabalho onde esta transformação demorará mais a penetrar.

Através de instâncias educativas, mas fundamentalmente do desenvolvimento de novas aptidões, os trabalhadores podem trabalhar para diminuir o impacto que a automatização terá na sua futura empregabilidade.

O estudo The Future of Jobs (O futuro do Trabalho) do Fórum Económico Mundial indica que, para 2020, perder-se-ão cerca de 5 milhões de postos de trabalho por causa destes avanços tecnológicos. Ao mesmo tempo, devemos considerar que as novas tecnologias oferecem milhões de postos de trabalho relacionados com os novos conhecimentos e âmbitos empresariais.

Portanto, é urgente que estudantes e trabalhadores se comecem a preparar para a revolução.



Soft Skills, as aptidões necessárias no mundo digital

Apesar de, falando do processo de automatização, os números que mais impressionam sejam os relacionados com os empregos perdidos, é importante assinalar que este processo gera novos postos de trabalho, correspondentes a áreas de estudo relacionadas com a Engenharia, Tecnologia, Informática, Matemática, Robótica e Inteligência Artificial. Cada vez mais, estas especialidades são transversais, ou, por outras palavras, desenvolvem os seus avanços em campos multidisciplinares e multissectoriais, que precisam de especialistas em cada uma destas áreas de desenvolvimento; especialistas de negócio capazes de entender as vantagens das novas tecnologias.

Para tirar o máximo proveito possível desta geração de emprego, os trabalhadores devem ser capazes de desenvolver uma série de aptidões que lhes permitam conviver num ambiente eminentemente tecnológico. Ou seja, aptidões para aumentar a sua empregabilidade caracterizadas por imprimir valor às aptidões humanas.

O mercado laboral do futuro requer um melhor uso das aptidões digitais, mas ainda uma especial atenção às denominadas aptidões sociais (soft skills em inglês). Estas aptidões, também conhecidas como sociais ou interpessoais, incluem competências como:

• autonomia,

• autoliderança,

• coerência,

• integridade,

• capacidade de atenção e de escuta,

• autorregulamentação,

• interesse,

• curiosidade,

• autenticidade,

• responsabilidade pessoal e social,

• capacidade de reflexão,

• proatividade,

• paixão,

• motivação

• intrínseca,

• lógica divergente,

• humildade,

• aprendizagem contínua,

• empatia,

• capacidade de síntese e de argumentação,

• Gestão do tempo

• ou confiança.



Partilhar e negociar, as aptidões do ambiente de trabalho

Porém, existem algumas aptidões especificamente importantes para o trabalho no mercado de trabalho do futuro. Poderiam considerar-se imprescindíveis para se adaptar às mudanças inevitáveis, o que causará o avanço da tecnologia no mundo do emprego, que alguns autores denominaram a Quarta Revolução Industrial.

David Deming, professor da Universidade de Harvard e investigador associado no National Bureau of Economic Research, assinalou que, no futuro, os trabalhadores deverão ter duas aptidões imprescindíveis: partilhar e negociar. Aqueles que desenvolverem a sua capacidade para negociar e, consequentemente, para persuadir, e que conseguirem ainda entender a importância de trabalhar em equipa e partilhar tanto ideias como responsabilidades, terão o êxito assegurado na era dos robôs.

Outros especialistas na temática assinalam como fundamentais aptidões como a criatividade para pensar problemas e soluções de forma diferente do habitual, e a empatia para desenvolver relações de trabalho saudáveis com os colegas de escritório.

A Universidade é um agente ativo nestas reflexões e aplica conclusões de uma forma mais eficaz a cada ano que passa. O objetivo é orientar, inovar, aumentar a taxa de empregabilidade e fomentar o empreendedorismo num contexto de grande protagonista e ator social de relevo num ambiente de mudança.